<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19592234</id><updated>2011-07-28T17:46:02.760-07:00</updated><title type='text'>Teologia e Moral Vaishnava</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://teologia-e-moral-vaishnava.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19592234/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologia-e-moral-vaishnava.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nayana Das [HDG]</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_ImHScGZ3-uU/SK7pMvu-iII/AAAAAAAAAAQ/VjYpttUPt1s/S220/Panca+58.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19592234.post-113378780438030182</id><published>2005-12-05T04:53:00.000-08:00</published><updated>2011-07-21T14:13:06.648-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://livrogratis.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;http://livrogratis.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.harekrishna.gigafoto.com.br/"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. JUSTIÇA E COMPAIXÃO&lt;br /&gt;Como em toda sociedade, conflitos morais ocorrem na cultura Védica,&lt;br /&gt;freqüentemente envolvendo uma tensão entre princípios morais de justiça e compaixão.&lt;br /&gt;De fato, encontramos exemplos disto nos próprios passatempos do Senhor Krishna,&lt;br /&gt;geralmente resultando numa tentativa de encontrar um equilíbrio entre justiça e&lt;br /&gt;compaixão.&lt;br /&gt;ASVATTHAMA&lt;br /&gt;Encontramos um notável exemplo disto no primeiro canto do Bhagavatam,&lt;br /&gt;quando Arjuna prende o assassino Asvatthama e o traz de volta ao campo dos Pandavas.&lt;br /&gt;A seqüência dos eventos é como segue:&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;1.7.35 O Senhor Krishna ordena Arjuna a matar o preso Asvatthama.&lt;br /&gt;1.7.35-39 Krishna apresenta a causa para matar Asvatthama, ordenando Arjuna&lt;br /&gt;diretamente, mais uma vez, [1.7.39] a matá-lo.&lt;br /&gt;1.7.40-41 Arjuna decide não matar Asvatthama, apesar de ter sido ordenado&lt;br /&gt;duas vezes por Krishna a fazê-lo, e, pelo contrário, o trás de volta ao campo dos&lt;br /&gt;Pandavas entregando-o a Draupadi.&lt;br /&gt;1.7.42-48 Draupadi insiste pela libertação de Asvatthama sob o pretexto de&lt;br /&gt;compaixão pela mãe dele e respeito pela casta brahmana.&lt;br /&gt;1.7.49 Yudhisthira concorda com Draupadi.&lt;br /&gt;1.7.50 Nakula, Sahadeva, Yuyudhana, Arjuna, Krishna e todas as mulheres,&lt;br /&gt;concordam com Draupadi.&lt;br /&gt;1.7.51 Bhima insiste em matar Asvatthama.&lt;br /&gt;1.7.53-54 Krishna diz a Arjuna que Asvatthama deveria ser morto e não morto, e&lt;br /&gt;ordena Arjuna a satisfazer tanto Draupadi quanto Bhima.&lt;br /&gt;1.7.55-56 Arjuna corta o topete e a jóia do prisioneiro e o expulsa, humilhado e&lt;br /&gt;socialmente morto, do campo.&lt;br /&gt;Podemos notar o seguinte sobre essa história:&lt;br /&gt;A. O debate sobre o destino de Asvatthama centra-se sobre o dharma, o qual é&lt;br /&gt;uma das palavras padrão para a moralidade.&lt;br /&gt;B. Havia tensão entre duas posições morais, ambas posições defendidas por&lt;br /&gt;grandes devotos.&lt;br /&gt;C. Krishna ordenou uma punição severa, mas então mudou Sua posição ao ouvir&lt;br /&gt;o apelo compadecido de Sua devota, Draupadi.&lt;br /&gt;D. Bhima insiste por justiça, Draupadi insiste por misericórdia. Krishna&lt;br /&gt;finalmente aceita uma conciliação entre justiça e misericórdia.&lt;br /&gt;Uma outra história do Bhagavatam, encontrada no décimo canto, capítulo&lt;br /&gt;cinqüenta e quatro, ilustra o desejo do Senhor Krishna em fazer uma conciliação entre&lt;br /&gt;os princípios morais de justiça e misericórdia. Aqui está a seqüência deste passatempo.&lt;br /&gt;RUKMI&lt;br /&gt;10.54.31 Tendo raptado Rukmini, o Senhor Krishna prepara-Se para matar o&lt;br /&gt;violento Rukmi.&lt;br /&gt;10.54.32-33 Assustada, Rukmini roga para Krishna não matar seu irmão.&lt;br /&gt;10.54.34 Rukmini desperta a compaixão de Krishna e Ele não mata Rukmi.&lt;br /&gt;10.54.35 Krishna amarra Rukmi e caçoa-o cortando seu cabelo e bigode.&lt;br /&gt;10.54.36-37 O Senhor Balarama, sendo misericordioso, liberta Rukmi e puni&lt;br /&gt;Krishna, acusando-O de fazer algo que é “asadhu” e “terrível para nós”, uma vez&lt;br /&gt;que “desfigurar um parente é como matá-lo.”&lt;br /&gt;10.54.38-50 Balarama prega para Krishna e Rukmini.&lt;br /&gt;Essa história claramente assemelha-se àquela de Asvatthama:&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;A. Krishna primeiro prepara-Se para fazer justiça matando Rukmi, assim como&lt;br /&gt;Krishna primeiro ordenou Arjuna a matar Asvatthama e trazer sua cabeça para&lt;br /&gt;Draupadi.&lt;br /&gt;B. Compadecida, Rukmini opõe-se a esta morte, assim como Draupadi opôs-se à&lt;br /&gt;morte de Asvatthama.&lt;br /&gt;C. Assim como com Asvatthama, Krishna toma um rumo intermediário,&lt;br /&gt;matando simbolicamente por humilhação.&lt;br /&gt;D. Balarama apresenta uma quarta posição, as três primeiras sendo 1) Decisão de&lt;br /&gt;Krishna pela morte de Rukmi; 2) Apelo de Rukmini pelo indulto de seu irmão; e&lt;br /&gt;3) Decisão de Krishna em matar Rukmi simbolicamente. Balarama pune Krishna&lt;br /&gt;por matar simbolicamente um parente e em seguida censura Rukmini por seu&lt;br /&gt;excessivo sentimento familiar.&lt;br /&gt;E. Assim como na história anterior de Asvatthama, encontramos Krishna&lt;br /&gt;determinado a fazer justiça, e, depois, conciliando a punição após um apelo de&lt;br /&gt;um devoto por misericórdia.&lt;br /&gt;Em ambas as histórias, de Asvatthama e Rukmi, encontramos a justiça&lt;br /&gt;temperada pela misericórdia, resultando numa ação de justiça misericordiosa, a qual não&lt;br /&gt;obedece aos estritos textos da lei.&lt;br /&gt;2. DEVERES MORAIS CONFLITANTES&lt;br /&gt;KUNTI E PANDU&lt;br /&gt;Encontramos outro exemplo de tensão entre deveres morais rivais no&lt;br /&gt;Mahabharata, numa conversa entre Pandu e sua esposa Kunti.&lt;br /&gt;Amaldiçoado a nunca gerar uma criança, e, assim, incapaz de proporcionar um&lt;br /&gt;herdeiro para o trono Kuru, Pandu roga à sua devotada esposa Kunti para gerar uma&lt;br /&gt;criança com um pai substituto, um brahmana santo. Finalmente, é claro, Kunti revelará&lt;br /&gt;que Durvasa abençoou-a com o poder de chamar os semideuses, e, assim, ela gerará três&lt;br /&gt;filhos com, Dharma, Vayu e Indra. Mas, por enquanto, Pandu está tentando convencê-la&lt;br /&gt;a obedecê-lo e gerar um filho com um brahmana santo. Entre seus argumentos, Pandu&lt;br /&gt;declara:&lt;br /&gt;“Ó filha do rei, conhecedores do dharma sabem que uma esposa deve fazer o&lt;br /&gt;que o esposo diz, quer ele fale de acordo com o dharma ou mesmo se ele fala o que não&lt;br /&gt;é dharma.” [MB 1.113.27] [1]&lt;br /&gt;Pode-se ler esse verso e concluir que uma esposa deve sempre obedecer a seu&lt;br /&gt;esposo, esteja este certo ou errado, uma vez que isto é o que Pandu declara. Entretanto,&lt;br /&gt;logo no capítulo seguinte, após Kunti ter dado a Pandu três filhos, Pandu pede a Kunti&lt;br /&gt;para chamar outro deus e gerar outro filho, embora Kunti firmemente recuse o pedido&lt;br /&gt;de seu esposo e diga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não se recomenda um quarto filho dessa forma, a não ser em tempos de&lt;br /&gt;dificuldades. Com uma quarta criança, eu seria uma mulher incasta, com uma quinta,&lt;br /&gt;me tornaria uma meretriz.” [MB 1.114.65]&lt;br /&gt;Pandu claramente declarou que uma esposa deve obedecer a seu esposo, quer ele&lt;br /&gt;esteja certo ou errado. Mas, na verdade, quando Kunti está certa, Pandu aceita seu&lt;br /&gt;argumento e o segue, abandonando um princípio moral que ele acabara de declarar.&lt;br /&gt;Kunti então chama os gêmeos Asvins para Madri, que gera assim Nakula e&lt;br /&gt;Sahadeva. Mas quando Pandu pede ainda outro filho para Madri, Kunti recusa e&lt;br /&gt;novamente Pandu acata os desejos de sua esposa.&lt;br /&gt;Encontramos o mesmo padrão dialético de reivindicação moral e deveres,&lt;br /&gt;repetidos aqui: um homem forte empenha-se em agir de um modo errado, reivindicando&lt;br /&gt;tais atos serem justos. Uma respeitável senhora então insiste em uma conduta um tanto&lt;br /&gt;diferente, e o homem retifica seu comportamento.&lt;br /&gt;A FAMÍLIA BRAHMANA DE EKA-CAKRA&lt;br /&gt;No Mahabharata, Adi Parva, capítulos 145-7, encontramos outro exemplo&lt;br /&gt;notável de conflito moral. Na cidade de Ekacakra, onde os Pandavas vivem incógnitos&lt;br /&gt;na casa de um a brahmana, um poderoso Raksasa chamado Baka aterroriza a cidade,&lt;br /&gt;aproveitando-se do fraco e incompetente rei que rege aquela região. Em troca de sua&lt;br /&gt;proteção, os cidadãos são forçados a suprir periodicamente o demônio com uma&lt;br /&gt;carroçada de comida e um humano, selecionado a cada vez de uma das famílias da&lt;br /&gt;cidade.&lt;br /&gt;Kunti ouve sua família brahmana anfitriã ocupada em uma estranha e chorosa&lt;br /&gt;discussão na qual todos, esposo, esposa, filha e filho, insistem em sacrificarem-se para&lt;br /&gt;salvar a família, pois chegou a vez desta família alimentar o demônio. Finalmente, é&lt;br /&gt;claro, Bhima mata o demônio, mas este incidente mostra claramente que na cultura&lt;br /&gt;védica havia conflitos morais.&lt;br /&gt;Por um lado, um homem deve proteger sua família, no entanto, se o pai se&lt;br /&gt;entregasse ao demônio, a sociedade saquearia sua família desprotegida. A esposa achou&lt;br /&gt;que seu dever era servir seu esposo sacrificando-se ao demônio, no entanto, como um&lt;br /&gt;esposo poderia, tendo jurado proteger sua esposa, sacrificá-la ao demônio. Até mesmo a&lt;br /&gt;filha queria salvar seus pais e seu pequeno irmão dando-se ao demônio.&lt;br /&gt;O ponto chave aqui é que circunstâncias práticas apresentaram conflitos morais&lt;br /&gt;aparentemente insolúveis para uma família boa, brahmínica e védica. O dever moral da&lt;br /&gt;família não lhes era absolutamente claro, e eles não podiam concordar no que fazer, já&lt;br /&gt;que cada ato moral possível parecia violar outro dever moral de igual importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. IDEAL VS REAL&lt;br /&gt;Outra tensão moral encontrada em toda sociedade surge da inevitável lacuna&lt;br /&gt;entre ideal e real. A cultura védica ensina os mais elevados princípios morais e&lt;br /&gt;espirituais, mas também engaja a natureza prática humana com uma notável franqueza e&lt;br /&gt;realismo. Os princípios religiosos do dharma funcionam como princípios morais na&lt;br /&gt;cultura Védica. E, quando estudamos a aplicação do dharma em textos como o&lt;br /&gt;Bhagavatam e o Mahabharata, encontramos que, na grande maioria dos casos, o&lt;br /&gt;dharma é usado para regular as duas mais apaixonadas, e assim mais perigosas,&lt;br /&gt;atividades humanas: sexo e violência.&lt;br /&gt;A fim de entender claramente a abordagem védica às questões morais, devemos&lt;br /&gt;observar a maneira que a cultura védica lida com o sexo e a violência. Como declarado&lt;br /&gt;acima, em virtude destas duas atividades gerarem a mais desenfreada paixão nos seres&lt;br /&gt;humanos, são precisamente estas duas atividades que mais ameaçam a ordem moral e&lt;br /&gt;espiritual na sociedade, e as quais, portanto, devem ser reguladas pelo dharma,&lt;br /&gt;moralidade.&lt;br /&gt;Para ilustrar a madura complexidade da abordagem védica às questões morais,&lt;br /&gt;consideremos exemplos da abordagem védica à violência, na forma de caça, e, ao sexo,&lt;br /&gt;na forma de poligamia. Perceberemos, em cada caso, que a cultura védica ensina&lt;br /&gt;princípios morais ideais, no entanto, ao mesmo tempo, reconhece a real natureza&lt;br /&gt;humana e cria um espaço cultural para pessoas sinceras que não podem praticar o ideal.&lt;br /&gt;CAÇA&lt;br /&gt;A caça a animais viola profundamente um dos mais sérios princípios morais&lt;br /&gt;Védicos: ahimsa, não prejudicar o inocente. O Senhor Krishna menciona ahimsa quatro&lt;br /&gt;vezes no Bhagavad-Gita [10.5, 13.8, 16.2, 17.14].&lt;br /&gt;No 13.8, Krishna afirma que ahimsa, junto com outras qualidades, é&lt;br /&gt;conhecimento, e que tudo mais é simplesmente ignorância. Assim, himsa, prejudicar o&lt;br /&gt;inocente, é ignorância. No 18.25, Krishna declara que o trabalho empreendido sem&lt;br /&gt;considerar a himsa, ou prejuízo ao inocente, resultante, é trabalho no modo escuridão.&lt;br /&gt;Krishna também declara, no 18.27, que um trabalhador na paixão é himsatmaka, o que&lt;br /&gt;Prabhupada traduz por “sempre invejoso”.&lt;br /&gt;No 16.2, o Senhor Krishna declara que ahimsa é uma das qualidades divinas&lt;br /&gt;para qual Arjuna nasceu. E, no 17.14, o Senhor diz que ahimsa é um componente&lt;br /&gt;necessário à austeridade corpórea. O Bhagavatam glorifica, similarmente, a qualidade&lt;br /&gt;moral de ahimsa:&lt;br /&gt;O 1.18.22 declara que ahimsa é a verdadeira natureza da alma pura. O 3.28.4&lt;br /&gt;prescreve que se deve praticar ahimsa. O 7.11.8 ensina que ahimsa e outras qualidades&lt;br /&gt;são paro dharmah, o mais elevado princípio religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significativamente, o 11.17.21 sustenta que ahimsa é sarva-varnika, para todos&lt;br /&gt;os varnas. E, no 11.19.33, Krishna, Ele próprio, ensina ahimsa.&lt;br /&gt;Similarmente, o Mahabharata, 1.11.12, afirma que ahimsa é o supremo dharma&lt;br /&gt;para todas os seres vivos.&lt;br /&gt;Srila Prabhupada muitas vezes ensinou que ahimsa significa especialmente que&lt;br /&gt;não se deve matar animais. Por exemplo, neste significado ao Bhagavad-Gita 16.2, ele&lt;br /&gt;escreve:&lt;br /&gt;“Ahimsa quer dizer não impedir a vida progressiva de nenhuma entidade viva.&lt;br /&gt;Ninguém deve pensar que, como a centelha espiritual não morre mesmo após o corpo&lt;br /&gt;ser morto, não há mal algum em obter gozo dos sentidos através da matança de animais.&lt;br /&gt;Hoje em dia as pessoas estão habituadas a comer animais, apesar de terem um amplo&lt;br /&gt;suprimento de cereais, frutas e leite. Não há necessidade de matar animais. Este preceito&lt;br /&gt;é para todos. [ênfase minha] Quando não há alternativa, pode-se matar um animal, mas&lt;br /&gt;ele deve ser oferecido em sacrifício. De qualquer forma, quando há um amplo&lt;br /&gt;suprimento de alimento para a humanidade, aqueles que desejam progredir em&lt;br /&gt;percepção espiritual não devem cometer violência contra os animais. A verdadeira&lt;br /&gt;ahimsa quer dizer não impedir a vida progressiva de ninguém. Os animais também estão&lt;br /&gt;progredindo em sua vida evolutiva, transmigrando de uma categoria de vida animal para&lt;br /&gt;outra. Se determinado animal é morto, então seu progresso é interrompido. Logo,&lt;br /&gt;ninguém deve interromper o progresso deles simplesmente para satisfazer o paladar.&lt;br /&gt;Isto se chama ahimsa”.&lt;br /&gt;Similarmente, em seu significado ao Srimad-Bhagavatam 1.3.24, ele declara:&lt;br /&gt;“Não há justiça quando há matança de animais. O Senhor Buddha queria parar&lt;br /&gt;com isto completamente, e por isso seu culto de ahimsa foi propagado não apenas na&lt;br /&gt;Índia, mas também fora do país”.&lt;br /&gt;No entanto, apesar dessas numerosas e pesadas declarações escriturais,&lt;br /&gt;prescrevendo ahimsa e proibindo himsa, encontramos que os reis Védicos muitas vezes&lt;br /&gt;caçavam. Prabhupada ensinou que os Ksatriyas, reis guerreiros responsáveis por&lt;br /&gt;defender o povo, eram permitidos caçar com vistas a aprimorar suas habilidades com&lt;br /&gt;armas. Entretanto, como Prabhupada ressalta em seu significado ao Bhagavatam&lt;br /&gt;4.22.13, mesmo tal caça não era auspiciosa. Na verdade, era, ainda assim, considerado&lt;br /&gt;um pecado. Prabhupada escreve:&lt;br /&gt;“Os reis... às vezes, ocupam-se em matar animais na caça porque devem praticar&lt;br /&gt;a arte da matança, caso contrário, ser-lhes-ia muito difícil lutar contra seus inimigos.&lt;br /&gt;Semelhantes coisas não são auspiciosas. Quatro espécies de atividades pecaminosas –&lt;br /&gt;associar-se com uma mulher para fazer sexo ilícito, comer carne, intoxicar-se e jogar –&lt;br /&gt;são permitidas para os ksatriyas. Por razões políticas, às vezes, eles precisam praticar&lt;br /&gt;estas atividades pecaminosas.”&lt;br /&gt;Recorde que o Bhagavatam [11.17.21] diretamente declara que ahimsa é sarvavarnika,&lt;br /&gt;para ser praticado por todos as ordens sociais, incluindo os ksatriyas. Na&lt;br /&gt;verdade, o Bhagavatam mostra que mesmo os reis não estão isentos das reações&lt;br /&gt;pecaminosas de matar animais. Assim, no 4.25.7-8, o grande Narada diz para o Rei&lt;br /&gt;Barhisman:&lt;br /&gt;“Ó Prajapati! Ó Rei! Veja os animais, coisas vivas que você cruelmente matou&lt;br /&gt;aos milhares em sacrifício.&lt;br /&gt;Esses animais estão esperando por você, lembrando sua carnificina. Quando&lt;br /&gt;você tiver partido deste mundo, eles o fatiarão com chifres de ferro por você tê-los&lt;br /&gt;enfurecido.”&lt;br /&gt;Similarmente, o Bhagavatam afirma no 5.26.24 que mesmo os ksatriyas que&lt;br /&gt;sentem prazer em caçar vão para o inferno conhecido como Pranarodha. Os comentários&lt;br /&gt;de Prabhupada sobre este verso são como segue:&lt;br /&gt;“Os homens pertencentes às classes superiores (brahmanas, ksatriyas e vaisyas)&lt;br /&gt;devem cultivar conhecimento através do qual passem a saber o que é o Brahman, e&lt;br /&gt;também devem dar aos sudras a oportunidade de chegar a essa plataforma. Se, ao&lt;br /&gt;contrário, entregam-se à caça, recebem a punição descrita neste verso. Eles não apenas&lt;br /&gt;são trespassados pelas flechas dos agentes de Yamaraja, como também são postos no&lt;br /&gt;oceano de pus, urina e excremento, descrito no verso anterior.”&lt;br /&gt;Como entendemos este paradoxo? Por um lado, as escrituras védicas não&lt;br /&gt;poderiam ser mais claras em seu ensinamento de ahimsa, não prejudicar o inocente, e&lt;br /&gt;sua condenação de himsa, prejudicar o inocente. Por outro lado, parece que uma&lt;br /&gt;concessão especial é dada para os guerreiros caçarem. Entretanto, esta concessão é&lt;br /&gt;problemática por várias razões:&lt;br /&gt;1. O Shastra ensina que até mesmo reis são punidos por matar animais.&lt;br /&gt;2. O Bhagavatam declara que todas as ordens sociais, incluindo guerreiros,&lt;br /&gt;devem praticar ahimsa.&lt;br /&gt;3. A história Védica ensina a poderosa lição de que muitos dos maiores reis&lt;br /&gt;Védicos sofreram trágicos destinos enquanto caçavam. Exaltados reis tais como&lt;br /&gt;Dasaratha, Pandu e Pariksit, também enfrentaram desastres enquanto caçavam. E&lt;br /&gt;o meio-irmão de Dhruva, Uttama, foi assassinado numa expedição de caça. Não&lt;br /&gt;há equivoco de que tais lições históricas desencorajam a caça.&lt;br /&gt;É justo concluir que a cultura védica encontra aqui um ponto de equilíbrio entre&lt;br /&gt;o ideal e o real. O ideal é claramente ahimsa. O “real”, entretanto, é que ao longo da&lt;br /&gt;história registrada por todo o mundo, guerreiros caçam. E, ao longo da história, nós&lt;br /&gt;verificamos que guerreiros de fato não limitam sua caça ao mínimo necessário para&lt;br /&gt;aprimorar suas habilidades essenciais como protetores da humanidade.&lt;br /&gt;Desse modo, encontramos a seguinte estratégia moral apropriada:&lt;br /&gt;1. O ideal é prescrito.&lt;br /&gt;2. Aquilo que viola o ideal é proibido.&lt;br /&gt;3. Uma concessão é feita para aqueles que simplesmente não podem ou não&lt;br /&gt;seguirão o ideal.&lt;br /&gt;4. Aqueles que recebem essa concessão, não obstante, são aceitos dentro da&lt;br /&gt;sociedade.&lt;br /&gt;5. Os perigos e repercussões em aceitar esta concessão são claramente indicados.&lt;br /&gt;Eu ressaltei anteriormente que dharma, moralidade, enfoca especialmente as&lt;br /&gt;duas mais perigosas paixões humanas: sexo e violência. Em seu significado ao&lt;br /&gt;Bhagavatam 4.26.4, o qual descreve como o Rei Puranjana saiu para caçar animais,&lt;br /&gt;Srila Prabhupada relaciona caça com luxúria.&lt;br /&gt;“Uma forma de caça é conhecida como caça às mulheres. Uma alma&lt;br /&gt;condicionada nunca fica satisfeita com uma só esposa. Aqueles cujos sentidos estão&lt;br /&gt;demasiado descontrolados tentam especialmente caçar mulheres. O fato de o rei&lt;br /&gt;Puranjana ter abandonado a companhia de sua mulher religiosamente desposada&lt;br /&gt;representa a tentativa da alma condicionada de caçar muitas mulheres, visando ao gozo&lt;br /&gt;dos sentidos.”&lt;br /&gt;Há uma clara similaridade entre caçar e promiscuidade sexual, por ambas serem&lt;br /&gt;tentativas de desfrutar o corpo físico de outra alma, com pouca ou nenhuma&lt;br /&gt;consideração pelo bem estar último desta outra alma. Assim, não é surpreendente que&lt;br /&gt;nós encontremos uma abordagem moral Védica para a promiscuidade sexual que se&lt;br /&gt;parece com a abordagem à caça.&lt;br /&gt;Observemos brevemente a prática védica da poligamia, a qual foi praticada&lt;br /&gt;especialmente entre os reis guerreiros. A palavra sânscrita sapatni significa “co-esposa”.&lt;br /&gt;Uma outra palavra sânscrita, diretamente derivada desta, é sapatna, “inimigo”. Não é&lt;br /&gt;por acaso que, da palavra sânscrita para “co-esposa”, nós temos a palavra sânscrita para&lt;br /&gt;“rival, adversário e inimigo”.&lt;br /&gt;Assim, no Bhagavad-Gita 11.34, o Senhor Krishna diz a Arjuna, “Você&lt;br /&gt;conquistará seus inimigos na batalha.” A palavra para “inimigos” é sapatna, derivada de&lt;br /&gt;sapatni, “co-esposa”.&lt;br /&gt;Similarmente no Bhagavatam nós encontramos várias vezes a palavra sapatna&lt;br /&gt;traduzida como “inimigo”. Alguns exemplos são encontrados em 1.14.9, 3.18.4, 5.1.18,&lt;br /&gt;5.1.19, 5.11.15, 7.2.6, 8.17.10, 10.49.10, 11.1.2, e 11.16.6.&lt;br /&gt;Similarmente, no 5.1.17, Prabhupada traduz o termo shat-sapatna, “os seis&lt;br /&gt;inimigos” (a mente e os sentidos), como “seis co-esposas”. No 8.10.6, Prabhupada&lt;br /&gt;traduz o termo sapatna como “inimigos violentos”.&lt;br /&gt;Adicionalmente, nós temos evidências históricas de que mesmo nas melhores&lt;br /&gt;famílias Védicas a poligamia podia levar a sérios problemas. Na história de Citraketu,&lt;br /&gt;encontramos no 6.14.42 que suas co-esposas arderam-se de inveja de uma esposa que&lt;br /&gt;lhe gerou um filho. Por conseguinte, no 6.14.43, as co-esposas matam o filho único do&lt;br /&gt;rei.&lt;br /&gt;A rainha Kaikeyi, temendo que o filho de sua co-esposa suprimisse seu próprio&lt;br /&gt;filho, ocasionou o banimento do Senhor Rama à floresta, contra os desejos de seu&lt;br /&gt;próprio esposo, e, na verdade, de todo o reino.&lt;br /&gt;Afora isso, numerosos versos Védicos ensinam os males da luxúria e exaltam as&lt;br /&gt;virtudes da restrição sexual. Foi nestes fundamentos que Prabhupada rejeitou a&lt;br /&gt;poligamia na ISKCON. Prabhupada ensinou que a poligamia remediou o desequilíbrio&lt;br /&gt;entre a população masculina e feminina na sociedade humana, e os reis eram&lt;br /&gt;freqüentemente poligâmicos, embora encontremos que a poligamia muitas vezes&lt;br /&gt;conduziu a problemas. De fato, da palavra “co-esposa”, sapatni, vem a palavra sapatna,&lt;br /&gt;a qual indica severa disputa entre inimigos.&lt;br /&gt;A história do mundo ensina que os guerreiros e governantes do começo dos&lt;br /&gt;tempos procuraram desfrutar muitas mulheres. Uma proibição absoluta da caça, ou de&lt;br /&gt;múltiplos parceiros sexuais, entre os governantes, somente conduziria à difusão da&lt;br /&gt;hipocrisia, o que debilitaria seriamente a força da lei e escritura Védicas. Para evitar&lt;br /&gt;isso, a cultura védica ensina o ideal e, dentro de limites apropriados, acomoda o real.&lt;br /&gt;Essa acomodação, freqüentemente implica conectar uma atividade desfavorável,&lt;br /&gt;porém inevitável, a algum benefício social. Caçar é ruim, mas isto alcança um propósito&lt;br /&gt;social bom por treinar os reis a protegerem o inocente, mesmo que eles matem outras&lt;br /&gt;criaturas inocentes. Indulgência sexual é ruim, mas a poligamia alcança o bem social de&lt;br /&gt;proteger as mulheres que, de outra maneira, podem não encontrar esposos.&lt;br /&gt;A poligamia e a caça são questões morais claramente diferentes, embora, em&lt;br /&gt;alguns aspectos, elas sejam similares: Prabhupada ressaltou a relação geral entre caça e&lt;br /&gt;luxúria. E, em ambos os casos, a cultura Védica simultaneamente ensina as vantagens&lt;br /&gt;morais e espirituais da restrição, mas também dá algum espaço, sob certas condições,&lt;br /&gt;somente para em seguida contar histórias que ilustram os problemas encontrados dentro&lt;br /&gt;deste espaço concedido. Tanto a caça, quanto a poligamia, ilustram o método pelo qual&lt;br /&gt;a cultura védica tenta lidar com a inevitável tensão entre o ideal e o real.&lt;br /&gt;Encontramos um outro exemplo de uma estratégia realista para lidar com o&lt;br /&gt;desejo humano por sexo dentro da própria ISKCON. No Bhagavad-Gita 9.27, o Senhor&lt;br /&gt;Krishna ensina claramente que nós devemos executar todos os atos como uma oferenda&lt;br /&gt;a Ele. Krishna também declara no 7.11 que Ele está presente na sexualidade que não se&lt;br /&gt;opõe ao dharma, moralidade. Srila Prabhupada explicou repetidamente que os devotos&lt;br /&gt;oferecem suas vidas sexuais a Krishna procriando crianças conscientes de Krishna.&lt;br /&gt;Assim, num senso estrito, todos os devotos iniciados devem prometer abandonar o sexo&lt;br /&gt;ilícito, i.e. o sexo que não é para a procriação.&lt;br /&gt;Isto é o ideal, entretanto, não é o real. A situação real na ISKCON é que muitos,&lt;br /&gt;realmente muitos, chefes de família seguem o mais fácil, a versão menos ideal da regra:&lt;br /&gt;não praticar sexo fora do casamento. O próprio Prabhupada, algumas vezes, ensinou&lt;br /&gt;tanto o ideal quanto, em muitas outras, a versão “real” dessa regra, a versão que eles&lt;br /&gt;podem realmente seguir.&lt;br /&gt;Não pode absolutamente haver dúvidas de que, em última análise, um devoto&lt;br /&gt;consciente de Krishna deve abandonar o sexo não destinado à procriação. E não pode&lt;br /&gt;absolutamente haver dúvidas de que um número muito grande de chefes de família da&lt;br /&gt;ISKCON não são capazes de seguir essa regra sempre. Aqui, novamente, encontramos a&lt;br /&gt;cultura Védica, através do intermédio da ISKCON, ensinando o ideal e acomodando o&lt;br /&gt;real. A suposição em todos estes casos é que, as pessoas que, de um modo ou de outro,&lt;br /&gt;permanecem sob o abrigo da cultura Védica se elevarão finalmente à plataforma ideal.&lt;br /&gt;Assim, a cultura védica sempre procurou manter sob seu abrigo almas sinceras que&lt;br /&gt;estão fazendo seu melhor para adotar valores mais elevados, mesmo quando essas almas&lt;br /&gt;estão situadas bem abaixo do padrão ideal.&lt;br /&gt;UM DRAMÁTICO EXEMPLO FINAL ILUSTRA ESSE PRINCÍPIO.&lt;br /&gt;No Sri Caitanya Caritamrta, 2.24.230-258, Narada narra a história de Mrgari, o&lt;br /&gt;caçador, a qual demonstra claramente o princípio moral Védico de escolher dos males&lt;br /&gt;morais o menor . Aqui está uma passagem dessa história:&lt;br /&gt;Narada disse: “Só te peço uma coisa em caridade. Peço-te que de hoje em diante&lt;br /&gt;mate os animais completamente, em vez de os deixares semimortos.”&lt;br /&gt;O caçador retrucou: “Ilustre cavalheiro, que me pedes? Que vês de errado no&lt;br /&gt;fato de os animais ficarem por aí estirados no chão, moribundos? Poderias, por favor,&lt;br /&gt;explicar-me isso?”&lt;br /&gt;Narada redargüiu: “Se deixas os animais moribundos, causas a eles dor&lt;br /&gt;propositadamente. Portanto, terás que sofrer a represália. Tua ocupação é matar animais.&lt;br /&gt;Esta é uma pequena ofensa de tua parte, mas, quando deliberadamente causas a eles dor&lt;br /&gt;desnecessária, deixando-os moribundos, cometes pecados muito grandes. Os animais&lt;br /&gt;por ti mortos e a quem causastes dor desnecessária, todos eles, sem exceção, matar-te-ão&lt;br /&gt;seguidamente em tua próxima vida e vida após vida.” [CC 2.24.247-251]&lt;br /&gt;Narada, aqui, incontestavelmente introduz outro princípio moral Védico: a&lt;br /&gt;gravidade de um pecado é relativa, e é medida em relação ao status e à consciência do&lt;br /&gt;pecador. Assim, Narada diz explicitamente,&lt;br /&gt;“Você é um caçador. Ao matar, seu pecado é pequeno. Ao perversamente causar&lt;br /&gt;sofrimento, seu pecado é sem limites.”&lt;br /&gt;Devemos observar aqui o seguinte:&lt;br /&gt;1. As escrituras védicas ensinam que matar animais inocentes é de fato um&lt;br /&gt;pecado. Mas, porque Mrgari era um caçador, sua ofensa era alpa, “pequena”. O&lt;br /&gt;pecado é relativo ao pecador.&lt;br /&gt;2. Em comparação a essa “pequena” ofensa, causar sofrimento&lt;br /&gt;desnecessariamente e conscientemente é chamado de um “mal ilimitado”.&lt;br /&gt;3. Narada persuade Mrgari ao menor dos males.&lt;br /&gt;4. Seguindo o método acima, Narada enfim trás Mrgari à consciência de Krsna&lt;br /&gt;pura.&lt;br /&gt;4. ATOS E CONSEQÜÊNCIAS&lt;br /&gt;Afora as inevitáveis tensões morais entre justiça e misericórdia, e entre o ideal e&lt;br /&gt;o real, podemos observar ainda nas escrituras Védicas duas filosofias morais distintas,&lt;br /&gt;uma moralidade fundamentalmente no ato em si, e a outra buscando a moralidade&lt;br /&gt;fundamentalmente nas conseqüências dos atos. Ambas as visões são bem conhecidas&lt;br /&gt;para os filósofos ocidentais pelos nomes de ética deontológica e conseqüêncialismo.&lt;br /&gt;A primeira, a ética deontológica, em linhas gerais argumenta que o&lt;br /&gt;comportamento moral depende do ato em si, independentemente das conseqüências. A&lt;br /&gt;segunda, o conseqüêncialismo, argumenta que o comportamento moral deve produzir&lt;br /&gt;boas conseqüências.&lt;br /&gt;Encontramos exemplos de ambas as filosofias morais na vida da grande alma&lt;br /&gt;Bhishma, que, em sua juventude, manifestou uma preocupação fundamental de que o&lt;br /&gt;ato em si seja moral, mas que, em sua velhice madura, claramente percebeu a&lt;br /&gt;importância moral das conseqüências.&lt;br /&gt;BHISHMA JOVEM&lt;br /&gt;No Mahabharata, a morte do rei jovem e sem filhos, Vicitravirya, filho de&lt;br /&gt;Satyavati e Santanu, deixou a dinastia Kuru sem um governante. Nesta precária&lt;br /&gt;situação, os inimigos políticos dos Kurus começaram a roubar suas terras.&lt;br /&gt;Em desespero, a Rainha Mãe Satyavati persuadiu Bhishma a casar-se com as&lt;br /&gt;viúvas de Vicitravirya e governar o reino. Bhishma inflexivelmente recusou com estas&lt;br /&gt;palavras:&lt;br /&gt;“Sem dúvida, mãe, você declarou o dharma mais elevado. [Mas] Você também&lt;br /&gt;conhece meu voto mais elevado com relação à progênie. E você está ciente do que&lt;br /&gt;aconteceu quando devia ser pago o seu preço de noiva.&lt;br /&gt;Mais uma vez, Satyavati, faço o mesmo voto a você. Eu posso renunciar a&lt;br /&gt;soberania sobre os três mundos, ou ainda entre os deuses, ou o que quer que seja maior&lt;br /&gt;que isto, mas de forma alguma eu posso abandonar meu voto.&lt;br /&gt;A terra pode abandonar a fragrância, e a água seu sabor. Do mesmo modo, a luz&lt;br /&gt;pode abandonar a forma, o ar a qualidade do toque, o sol sua luz e o fogo fumegante seu&lt;br /&gt;calor, o éter pode abandonar o som, a lua pode abandonar a frieza de seus raios, Indra,&lt;br /&gt;assassino de Vritra, pode renunciar sua coragem, o rei do dharma pode abandonar o&lt;br /&gt;dharma, mas eu jamais, de forma alguma, decidirei abandonar a verdade.” [MB 1.97.13-&lt;br /&gt;18]&lt;br /&gt;Essa fala é admirável, mas também revela uma falta de interesse quanto às&lt;br /&gt;conseqüências. Em um sentido, Bhisma afirma aqui que, mesmo se o universo fosse&lt;br /&gt;colapsar, ele não abandonaria seu voto. As conseqüências não importam. Tudo o que&lt;br /&gt;importa é a integridade de um ato em si mesmo, neste caso, o ato de se manter um voto.&lt;br /&gt;A fala de Bhishma ilustra uma abordagem distinta de moralidade: o ato em si&lt;br /&gt;deve ser moral, sem considerar as conseqüências. Embora Bhishma finalmente sugira a&lt;br /&gt;Satyavati, como Pandu sugeriu a Kunti, que um brahmana qualificado seja solicitado a&lt;br /&gt;gerar filhos em rainhas enviuvadas, Bhishma já deixou claro que, indiferente à&lt;br /&gt;quaisquer possíveis conseqüências, ele não quebrará seu voto. Afinal de contas, se ele&lt;br /&gt;tivesse aceitado a proposta de Satyavati, de casar-se e governar o reino, neste caso ele&lt;br /&gt;teria falado falsamente ao pai de Satyavati, que a deu como noiva ao pai de Bhishma&lt;br /&gt;somente sob a condição de Bhishma nunca se casar.&lt;br /&gt;Há, entretanto, uma outra abordagem à moralidade na qual a preocupação&lt;br /&gt;fundamental é com as conseqüências de um ato. O mais famoso proponente desta&lt;br /&gt;abordagem pragmática é o próprio Krishna, é claro. De fato, Krishna ensina a filosofia&lt;br /&gt;moral pragmática ao próprio Bhishma na Batalha de Kurukshetra. Encontramos nesse&lt;br /&gt;caso, nos ensinamentos do leito de morte de Bhishma, que o grande avô Kuru aprendeu&lt;br /&gt;bem a lição sobre filosofia moral do Senhor Krishna.&lt;br /&gt;BHISHMA EM KURUKSETRA&lt;br /&gt;Tanto o Mahabharata, quanto o Bhagavatam, revelam que no Campo de Batalha&lt;br /&gt;de Kurukshetra o Senhor Krishna abandonou Seu voto de não lutar, a fim de proteger&lt;br /&gt;Seu devoto Arjuna.&lt;br /&gt;No Bhagavatam 1.9.37, o moribundo Bhishma recorda,&lt;br /&gt;“Abandonando seu voto sagrado, Ele [Krishna] desceu da quadriga para tornar&lt;br /&gt;minha promessa uma verdade ainda maior.”&lt;br /&gt;No Mahabharata 6.102.66, numa famosa cena, Arjuna agarra as pernas de&lt;br /&gt;Krishna, que está correndo para matar Bhishma, e roga a Krishna como segue,&lt;br /&gt;“Pare ó pessoa de braços poderosos! Ó Keshava, anteriormente Você disse ‘Eu&lt;br /&gt;não lutarei’, e Você não deveria tornar falsas Suas palavras. Ó Madhava, o mundo dirá&lt;br /&gt;que Você falou falsamente e toda essa responsabilidade certamente cairá sobre mim.&lt;br /&gt;Devo matar Bhishma, o de voto fixo.”&lt;br /&gt;Embora Krishna ceda, Ele estava claramente pronto a quebrar Seu voto para&lt;br /&gt;produzir as conseqüências necessárias.&lt;br /&gt;Similarmente, no Drona Parva do Mahabharata [7.164.68], Krishna diz a&lt;br /&gt;Yudhisthira,&lt;br /&gt;“Ó Pandava, pondo de lado o dharma, faça o que é prático pela vitória para que&lt;br /&gt;Drona, da carruagem dourada, não mate a todos vocês na batalha.”&lt;br /&gt;Posteriormente, na mesma cena, Krishna diz a Yudhisthira, “Você mesmo salve-nos de Drona. A inverdade [neste caso] é melhor que a verdade. As mentiras não poluem a quem as está falando quando a vida está em risco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APARÊNCIA E INTENÇÃO&lt;br /&gt;No Karna-parva do Mahabharata, o Senhor Krishna conta a Arjuna duas&lt;br /&gt;histórias para dramaticamente ilustrar que a verdadeira piedade não pode sempre ser&lt;br /&gt;julgada por atos externos, mas, às vezes, preferivelmente pelas conseqüências destes&lt;br /&gt;atos. A primeira história descreve um homem aparentemente pecaminoso que foi para o&lt;br /&gt;céu, a segunda, narra o oposto: um sábio “religioso” que foi para o inferno. Em ambas&lt;br /&gt;as histórias, o que mais importa não é o fato em si, mas, antes, as conseqüências do ato.&lt;br /&gt;Aqui estão as histórias:&lt;br /&gt;Krishna disse: “Havia um caçador de animais chamado Balaka que matava&lt;br /&gt;animais para sustentar suas crianças e esposa, não por seu próprio desejo. Ele também&lt;br /&gt;sustentava sua mãe cega, pai e outros dependentes. Sempre dedicado ao seu dever, ele&lt;br /&gt;falava a verdade e não invejava.&lt;br /&gt;Um dia, embora buscando presas com muito empenho, ele não encontrava&lt;br /&gt;nenhuma. Então ele viu um bicho selvagem bebendo água e usando seu focinho como&lt;br /&gt;olhos. Embora ele nunca tivesse visto uma criatura daquele jeito antes, ele a matou&lt;br /&gt;imediatamente. Logo após isso, uma chuva de flores caiu do céu. E, do céu, veio um&lt;br /&gt;aeroplano encantado ressonante com as canções das Apsaras e dos instrumentos&lt;br /&gt;musicais, desejando levar embora [para o céu] aquele caçador de animais.&lt;br /&gt;A criatura [morta] tinha executado austeridades e obtido uma benção, Arjuna, de&lt;br /&gt;destruir todas as criaturas e, portanto, Svayambhu cegou-a. Tendo matado quem estava&lt;br /&gt;decidida a destruir todas as criaturas, Balaka então foi para o céu. Portanto, é muito&lt;br /&gt;difícil compreender o dharma.&lt;br /&gt;Pois bem, havia um brahmana chamado Kaushika, não muito versado nas&lt;br /&gt;escrituras, que morava [na floresta] na confluência de vários rios, não distante de uma&lt;br /&gt;aldeia.&lt;br /&gt;‘Devo sempre falar a verdade!’ Esse se tornou seu voto. Ó Dhananjaya, por isso&lt;br /&gt;ele tornou-se famoso como um falante da verdade. Então, algumas pessoas entraram&lt;br /&gt;naquela floresta temendo assaltantes. Na verdade, os cruéis assaltantes os seguiram&lt;br /&gt;procurando-os diligentemente. Sabendo que Kaushika falava a verdade, os assaltantes&lt;br /&gt;aproximaram-se dele e disseram, ‘Por qual caminho, senhor, todas aquelas pessoas&lt;br /&gt;foram? Nós queremos a verdade. Fale se você sabe onde eles estão. Diga-nos!’&lt;br /&gt;Assim questionado, Kaushika disse-lhes a verdade: ‘Eles estão escondidos&lt;br /&gt;naquele bosque cheio de árvores, trepadeiras e arbustos.’ Então os assaltantes os&lt;br /&gt;encontraram e os mataram cruelmente. Assim foi falado pelas autoridades&lt;br /&gt;Por causa deste grande adharma de falar prejudicialmente, Kaushika foi para um&lt;br /&gt;inferno muito penoso por não ter compreendido os princípios sutis da moralidade. Seus&lt;br /&gt;estudos eram insuficientes, ele era tolo e não conhecia as divisões do dharma.” [MB&lt;br /&gt;8.49.34-46, Ganguli 8.9.70]&lt;br /&gt;O próprio Krishna explica então a Arjuna o significado dessas duas histórias:&lt;br /&gt;“É difícil alcançar o mais elevado entendimento [da moralidade]. Verifica-se&lt;br /&gt;isso pelo raciocínio. Nessas circunstâncias, há muitas pessoas que simplesmente alegam&lt;br /&gt;que ‘a moralidade é escritura’. Embora Eu não Me oponha a esta visão, as escrituras não&lt;br /&gt;oferecem regras para todo caso”.&lt;br /&gt;Essa declaração é a mais importante. Precisamente por causa das complexidades&lt;br /&gt;da vida – as tensões entre justiça e misericórdia, o ideal e o real, o ato e sua&lt;br /&gt;conseqüência, necessidades individuais e necessidades da sociedade – a moralidade,&lt;br /&gt;dharma, nunca pode ser reduzida a uma lista de regras. O Senhor não Se opõe à noção&lt;br /&gt;de que as regras das escrituras governam a moralidade, entretanto, as regras por si&lt;br /&gt;mesmas não são suficientes. Deve-se analisar racionalmente os casos individuais e&lt;br /&gt;deve-se compreender as sutilezas da vida real. A falha moral, a qual conduziu-o a um&lt;br /&gt;inferno muito penoso, foi seu fracasso em compreender os “princípios sutis da&lt;br /&gt;moralidade”. Não se pode compreender as sutilezas da moralidade, a menos que se&lt;br /&gt;entenda o propósito da moralidade. Nesta mesma passagem do Mahabharata, o Senhor&lt;br /&gt;Krishna explica este propósito:&lt;br /&gt;“A moralidade é ensinada para o progresso dos seres vivos. A moralidade&lt;br /&gt;[dharma] deriva-se do ato de manter [dharana]. Dessa maneira, as autoridades dizem&lt;br /&gt;que a moralidade [dharma] é aquilo que mantém os seres vivos. A conclusão é que,&lt;br /&gt;tudo aquilo que mantém é verdadeiramente dharma.” [MB 8.49.48-50]&lt;br /&gt;Assim, embora Balaka fosse um caçador, sua intenção era sustentar sua família.&lt;br /&gt;Ele não era, em última análise, uma má pessoa, mas ele se encontrava numa situação&lt;br /&gt;indesejável. Similarmente, Narada disse a Mrgari, “Porque você é um caçador, para&lt;br /&gt;você matar animais é uma ofensa insignificante.” Os atos de Balaka eram abomináveis,&lt;br /&gt;mas sua intenção não era.&lt;br /&gt;Em contraste, o ato de Kaushika foi superficialmente moral: ele disse a verdade.&lt;br /&gt;Porém, ao assim fazer, ele prejudicou outras pessoas. Ele colocou uma “moralidade”&lt;br /&gt;acima do bem real dos outros, não compreendendo que a moralidade só se caracteriza&lt;br /&gt;como tal quando beneficia os outros. Nós já vimos, no caso de Mrgari e Balaka, que a&lt;br /&gt;moralidade é relativa à situação de uma pessoa. No caso de Kaushika, o Senhor Krishna&lt;br /&gt;estabeleceu mais um princípio atenuante: a moralidade é relativa às circunstâncias.&lt;br /&gt;Assim, o Senhor Krishna declara:&lt;br /&gt;“Sempre que as pessoas tentarem injustamente roubar alguém, se essa pessoa&lt;br /&gt;puder se livrar sem proferir um só som, então nenhum som deverá ser proferido. Ou,&lt;br /&gt;deve-se proferir necessariamente um som caso os assaltantes desconfiem do silêncio.&lt;br /&gt;Nessa situação, considera-se melhor falar uma mentira a falar a verdade.” [MB 8.49.51-&lt;br /&gt;52]&lt;br /&gt;BHISHMA MADURO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos ensinamentos de Bhishma, falados de uma cama de flechas (Mahabharata,&lt;br /&gt;Shanti-parva), encontramos que a poderosa lição de moral de Krishna – de que as&lt;br /&gt;conseqüências de fato importam, às vezes, mais do que o ato em si – não foi&lt;br /&gt;desperdiçada por Bhishma. O moribundo Bhishma fala sobre satyam, verdade, de um&lt;br /&gt;modo muito mais complexo e cheio de nuances do que ele fez em sua juventude. Ele&lt;br /&gt;está agora extremamente preocupado com as conseqüências, mais do que com o ato em&lt;br /&gt;si. E ele entende que em assuntos morais as aparências podem ser enganosas, uma lição&lt;br /&gt;que ele tirou das duas histórias de Krishna, do caçador Balaka e do brahmana Kausika.&lt;br /&gt;Veremos ainda Bhishma, no final de sua vida, repetir e parafrasear a linguagem&lt;br /&gt;explícita de Krishna sobre este tópico.&lt;br /&gt;Enquanto Bhishma estava deitado na cama de flechas, Yudhisthira perguntou&lt;br /&gt;sobre moralidade (dharma). Significativamente, a verdade sobre a moralidade não era&lt;br /&gt;óbvia mesmo para o rei da moralidade, Yudhisthira. Aqui está a conversa deles:&lt;br /&gt;Yudhisthira disse:&lt;br /&gt;“Como deveria se comportar uma pessoa que quer basear-se em princípios&lt;br /&gt;morais? Eu procuro compreender isso, ó sábio, portanto, bondosamente explique, ó&lt;br /&gt;melhor dos Bharatas.&lt;br /&gt;Tanto a verdade quanto a falsidade existem cobrindo os mundos. Das duas, ó rei,&lt;br /&gt;qual deveria uma pessoa dedicada à moralidade praticar? O que é realmente verdade, o&lt;br /&gt;que é falsidade e qual é realmente o princípio moral eterno?”&lt;br /&gt;Bhishma disse:&lt;br /&gt;“Falar a verdade é virtuoso. Nada é mais elevado do que a verdade. Ó Bharata,&lt;br /&gt;eu falarei para você aquilo que é muito difícil de entender em Bhuloka. A verdade&lt;br /&gt;não deve ser falada e a falsidade deve ser falada num caso onde a falsidade torna-se&lt;br /&gt;verdade e verdade torna-se falsidade. Uma pessoa imatura é confundida em tal caso,&lt;br /&gt;onde a verdade não é firmemente estabelecida. Determinando verdade e falsidade,&lt;br /&gt;conhece-se então a moralidade.&lt;br /&gt;Mesmo um não-ariano, carente de sabedoria, decerto um homem violento, pode&lt;br /&gt;alcançar grande compaixão, como Balaka alcançou matando o bicho cego. E o que é&lt;br /&gt;surpreendente quando um tolo, desejando moralidade, mas não a reconhecendo, comete&lt;br /&gt;um pecado realmente grande, como Kaushika no Ganges?&lt;br /&gt;Tal questão, como esta que se refere a onde a moralidade deve ser procurada, é&lt;br /&gt;muito difícil de responder. É difícil de avaliar; portanto, neste assunto, deve-se resolver&lt;br /&gt;a questão pelo raciocínio. Moralidade é aquilo que evita prejuízo para os seres vivos.&lt;br /&gt;Esta é a conclusão.&lt;br /&gt;A moralidade (dharma) vem do ato de manter (dharana). Assim, as autoridades&lt;br /&gt;dizem que a moralidade mantém os seres vivos. Desta forma, aquilo que proporciona tal&lt;br /&gt;manutenção é dharma. Esta é a conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, algumas pessoas dizem, ‘a Moralidade é escritura’, enquanto outras&lt;br /&gt;negam isso. Eu não nego, mas na verdade as escrituras não dão regras para todos os&lt;br /&gt;casos. Sempre que as pessoas tentarem injustamente roubar a propriedade de alguém,&lt;br /&gt;não deve-se revelar para eles. Isto é verdadeiramente dharma . Se uma pessoa pode se&lt;br /&gt;livrar sem proferir um único som, então nenhum som deve ser proferido. Ou, dever-seia&lt;br /&gt;necessariamente proferir um som caso os assaltantes suspeitem do silêncio. Nesta&lt;br /&gt;situação, é considerado melhor falar uma mentira a falar a verdade. Aquele que assim&lt;br /&gt;age é eximido dos pecados de cometer um perjúrio.”&lt;br /&gt;Aqui Bhishma repete os pontos básicos da filosofia moral Védica ensinada pelo próprio&lt;br /&gt;Krishna:&lt;br /&gt;1. Para entender o que é comportamento moral, não podemos, em cada caso,&lt;br /&gt;simplesmente citar as regras morais das escrituras.&lt;br /&gt;2. Deve-se também raciocinar sobre moralidade.&lt;br /&gt;3. Em tal raciocínio, deve-se levar em consideração que todo o propósito dos&lt;br /&gt;princípios morais é beneficiar as pessoas.&lt;br /&gt;4. Às vezes, pessoas boas, externamente, praticam más ações.&lt;br /&gt;5. Às vezes, pessoas más, externamente, praticam boas ações.&lt;br /&gt;6. Em tais casos, deve-se olhar para além das aparências para ver o que&lt;br /&gt;realmente produz boas conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TENSÃO ENTRE SOCIEDADE E INDIVÍDUO&lt;br /&gt;Ao avaliar as boas e as más conseqüências de um ato, deve-se considerar tanto o&lt;br /&gt;indivíduo quanto a sociedade. Há uma tensão natural, e equilíbrio, na vida humana entre&lt;br /&gt;liberdade individual e responsabilidade social. Srila Prabhupada insistiu para todos nós&lt;br /&gt;trabalharmos cooperativamente dentro da ISKCON, e ao mesmo tempo ele lutava contra&lt;br /&gt;a centralização e a burocratização precisamente porque elas reprimem a liberdade&lt;br /&gt;individual, inspiração e criatividade, tudo o que é essencial na vida espiritual.&lt;br /&gt;Prabhupada assim escreve em seu significado ao Bhagavatam 1.6.37,&lt;br /&gt;"Todo ser vivo está ansioso por completa liberdade porque esta é sua natureza&lt;br /&gt;transcendental. ...Uma alma autônoma e plenamente capaz de voar como Narada,&lt;br /&gt;sempre ocupada em cantar as glórias do Senhor, é livre para movimentar-se não apenas&lt;br /&gt;na Terra, como também em qualquer parte do universo, bem como em qualquer parte do&lt;br /&gt;céu espiritual... De modo semelhante,... em todas as esferas do serviço devocional, a&lt;br /&gt;liberdade é o pivô principal. Sem liberdade não há execução de serviço devocional. A&lt;br /&gt;liberdade rendida ao Senhor não significa que o devoto torna-se dependente sob todos&lt;br /&gt;os aspectos. Render-se ao Senhor através do meio transparente do mestre espiritual é&lt;br /&gt;alcançar a completa liberdade da vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, temos irrevogáveis obrigações para com a sociedade, especialmente&lt;br /&gt;para com a sociedade espiritual criada por Srila Prabhupada. Em geral, quando se&lt;br /&gt;decide não viver solitário, mas sim viver dentro da sociedade e assim desfrutar os&lt;br /&gt;benefícios que a sociedade oferece, entra-se em um tipo de contrato social e se paga um&lt;br /&gt;preço pelos benefícios que se recebe. Para viver dentro da sociedade, e desfrutar de suas&lt;br /&gt;oportunidades e benefícios, se sacrifica a liberdade irrestrita da vida fora da sociedade.&lt;br /&gt;O indivíduo dentro da sociedade aprende que tudo que é natural para um indivíduo pode&lt;br /&gt;não ser natural para a sociedade. E o que é inatural para um indivíduo pode não ser&lt;br /&gt;inatural para a sociedade.&lt;br /&gt;Porque devemos depender da sociedade, mesmo enquanto ansiamos por&lt;br /&gt;liberdade, haverá sempre algum nível de tensão entre os desejos e expectativas&lt;br /&gt;individuais e os desejos e necessidades da sociedade na qual o indivíduo vive. Uma&lt;br /&gt;sociedade consciente de Krishna deveria buscar um equilíbrio saudável entre as&lt;br /&gt;necessidades sociais e individuais, para que tanto o indivíduo, quanto a sociedade,&lt;br /&gt;possam alcançar seus objetivos sem prejudicar significativamente o outro.&lt;br /&gt;Sobre este ponto, retornemos a nossa discussão sobre a tensão entre o ideal e o&lt;br /&gt;real dentro do contexto do indivíduo e da sociedade. Por um lado, uma sociedade&lt;br /&gt;consciente de Krishna deve preservar ideais espirituais eternos: o objetivo de cada vida&lt;br /&gt;é aproximar-se de Krishna, o Senhor Supremo. Cada corpo humano pertence a Krishna&lt;br /&gt;e deveria ser usado exclusivamente a Seu serviço de acordo com o sanatana dharma, os&lt;br /&gt;princípios espirituais eternos estabelecidos pelo próprio Senhor. Uma sociedade&lt;br /&gt;consciente de Krishna elogia e critica, recompensa e pune, encoraja e desencoraja o&lt;br /&gt;comportamento de seus membros a medida que tal comportamento mantém ou viola os&lt;br /&gt;ideais da sociedade.&lt;br /&gt;Por outro lado, toda sociedade funcional deve criar espaço cultural e social para&lt;br /&gt;os membros sinceros que, inevitavelmente, lutam com a realidade extremamente&lt;br /&gt;imperfeita da vida condicionada. A sociedade deve compreender que pessoas boas e&lt;br /&gt;sinceras muitas vezes falham em cumprir os ideais da sociedade e que a sociedade, em&lt;br /&gt;última análise, existe para encorajar e facilitar a luta da alma por consciência de Krsna.&lt;br /&gt;Para ser prático, a sociedade deve ainda distinguir entre comportamento público&lt;br /&gt;e privado, reforçar padrões mais elevados para o primeiro, enquanto responde ao último&lt;br /&gt;sempre que tal resposta for apropriada, relevante e necessária. Uma sociedade&lt;br /&gt;consciente de Krishna deve levar em consideração que as almas condicionadas seguem&lt;br /&gt;os ideais espirituais apenas parcialmente e imperfeitamente. Portanto, para aqueles não&lt;br /&gt;muito avançados na vida espiritual, o progresso em direção ao ideal freqüentemente&lt;br /&gt;envolve concessões avaliadas de acordo com os impulsos irreprimíveis e necessidades&lt;br /&gt;do corpo material.&lt;br /&gt;O indivíduo também não deve tomar a sociedade por padrões impossíveis,&lt;br /&gt;ideais. Assim como o indivíduo geralmente falhará em cumprir os ideais da sociedade,&lt;br /&gt;da mesma forma, a sociedade muitas vezes falhará em cumprir as expectativas do&lt;br /&gt;indivíduo em relação a ela. Deste modo, uma sociedade intolerante deve, em última&lt;br /&gt;análise, tornar-se ela mesma uma vítima da intolerância de seus membros para com as&lt;br /&gt;inevitáveis falhas desta mesma sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESCRITURAS E HOMOSSEXUALIDADE&lt;br /&gt;Anteriormente, ouvimos a declaração do Senhor Krishna no Mahabharata que:&lt;br /&gt;“É difícil alcançar o mais elevado entendimento [da moralidade]. Verifica-se&lt;br /&gt;isso pelo raciocínio. Nessas circunstâncias, há muitas pessoas que simplesmente alegam&lt;br /&gt;que ‘a moralidade é escritura’. Embora Eu não Me oponha a essa visão, as&lt;br /&gt;escrituras não oferecem regras para todo caso”.&lt;br /&gt;Assim, ao tentar entender como a ISKCON deveria lidar com a&lt;br /&gt;homossexualidade, devemos primeiro fazer esta pergunta:&lt;br /&gt;Fornecem as escrituras védicas vaishnavas regras específicas e explicitamente&lt;br /&gt;não-ambíguas para lidar com a homossexualidade, ou, se não, devemos chegar a uma&lt;br /&gt;conclusão através de nossa própria maneira de raciocinar?&lt;br /&gt;Srila Prabhupada ensinou que devemos entender a ciência espiritual através de&lt;br /&gt;guru, sadhu e shastra, “o prórprio guru, outras pessoas santas e as escrituras reveladas”.&lt;br /&gt;Srila Prabhupada também ensinou incessantemente que sua própria qualificação&lt;br /&gt;fundamental, e de fato a qualificação de qualquer guru fidedigno, é sempre repetir&lt;br /&gt;fielmente os ensinamentos de Krishna como são encontrados nas escrituras reveladas.&lt;br /&gt;Deste modo, devemos pesquisar nas mais importantes escrituras vaishnavas&lt;br /&gt;apresentadas por Srila Prabhupada, o Bhagavad-Gita e o Srimad-Bhagavatam, por&lt;br /&gt;declarações escriturais específicas, explícitas e não-ambíguas sobre homossexualidade.&lt;br /&gt;O resultado? Não há nenhuma. Notavelmente, nem o Gita, tampouco o&lt;br /&gt;Bhagavatam, dão uma única referência explícita à homossexualidade mutuamente&lt;br /&gt;consensual. Encontramos, é claro, no Bhagavatam, 3.20.23-37, a bem conhecida&lt;br /&gt;história em que Brahma cria os demônios masculinos, que, em seguida, tentam&lt;br /&gt;aproximar-se dele para fazer sexo. Brahma escapa dos demônios abandonando o corpo&lt;br /&gt;ao controle de Vishnu. Prabhupada comenta em seu significado ao 3.20.26:&lt;br /&gt;“Aqui subentende-se que o apetite homossexual de um macho por outro surgiu&lt;br /&gt;neste episódio da criação dos demônios por Brahma.”&lt;br /&gt;Podemos observar os seguintes pontos a respeito dessa história do Bhagavatam:&lt;br /&gt;1. A história não descreve homossexualidade mutuamente consensual, uma vez&lt;br /&gt;que Brahma evitou os demônios luxuriosos.&lt;br /&gt;2. A história não dá nenhuma regra, injunção ou proibição a respeito da&lt;br /&gt;homossexualidade. Na verdade, a exata palavra homossexualidade não aparece&lt;br /&gt;no Bhagavatam.&lt;br /&gt;3. Não está claro, a partir da história original do Bhagavatam, que os demônios&lt;br /&gt;eram verdadeiramente homossexuais. Explicarei esse último ponto em mais&lt;br /&gt;detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de um estudo minucioso dessa história, encontramos que, na verdade, os&lt;br /&gt;demônios que se aproximaram de Brahma eram, no máximo, bissexuais, e que mesmo&lt;br /&gt;essa bissexualidade é bastante ambígua. Primeiramente resumirei a história básica para,&lt;br /&gt;em seguida, discutir suas complexidades.&lt;br /&gt;Esta é a história básica:&lt;br /&gt;1. De suas nádegas, Brahma cria seres “malignos” muito luxuriosos que se&lt;br /&gt;aproximam dele para fazer sexo.&lt;br /&gt;2. Brahma fica inicialmente entretido, depois furioso e por fim aterrorizado. À&lt;br /&gt;medida que os demônios desavergonhados perseguem-no, ele foge.&lt;br /&gt;3. Brahma toma abrigo de Vishnu e roga ao Senhor que o proteja.&lt;br /&gt;4. Vishnu vê a condição infame de Brahma e ordena-o a abandonar seu corpo&lt;br /&gt;“terrível”.&lt;br /&gt;5. Brahma abandona seu corpo. Os demônios vêm o corpo como uma mulher&lt;br /&gt;deslumbrante. Completamente encantados, eles aproximam-se do “sexo&lt;br /&gt;feminino” e tentam obter seu favor.&lt;br /&gt;6. Os demônios então tomam o crepúsculo por uma bela mulher e, com luxúria e&lt;br /&gt;desordem, apoderam-se dela.&lt;br /&gt;É importante levar em consideração que este incidente ocorre dentro de uma&lt;br /&gt;narração padrão da criação, na qual Brahma cria vários tipos de seres, e então dá, para&lt;br /&gt;cada um, um de seus corpos. Os malignos demônios que perseguiram Brahma para&lt;br /&gt;fazer sexo estavam aparentemente atraídos pela parte específica de seu corpo que&lt;br /&gt;manifesta beleza feminina. Tanto no próprio texto do Bhagavatam quanto nos&lt;br /&gt;comentários dos grandes Acaryas, encontramos evidências de que estes demônios eram&lt;br /&gt;na verdade luxuriosos por mulheres:&lt;br /&gt;a) em seus comentários a este incidente, três grandes comentadores –&lt;br /&gt;Sridhara Swami, Vira Raghavacarya e Visvanatha Cakravarti Thakur, todos&lt;br /&gt;descrevem estes demônios como stri-lampata, “luxuriosos por mulheres”. Deste&lt;br /&gt;modo, quando o Bhagavatam primeiro menciona este incidente e descreve os&lt;br /&gt;demônios como atilolupan, “excessivamente luxuriosos,” Sridhara Swami&lt;br /&gt;declara que esta luxúria era por mulheres.&lt;br /&gt;b) O próprio Vishnu, no 3.20.28, ordena Brahma a abandonar seu&lt;br /&gt;“terrível corpo”. [16] Sridhara Swami explica que o corpo de Brahma era&lt;br /&gt;“terrível”, ghoram, porque era “contaminado pela luxúria”. O Acarya Vira&lt;br /&gt;Raghava concorda que o corpo de Brahma era terrível porque era a forma&lt;br /&gt;da “luxúria excessiva”.&lt;br /&gt;c) Sridhara Swami também explica em seu comentário ao 3.20.28 que&lt;br /&gt;“em todos os casos, abandonar um corpo significa dizer, abandonar uma&lt;br /&gt;disposição mental particular. Portanto, deve-se perceber que a palavra ca, “e”&lt;br /&gt;[indica neste verso] que Brahma teve que retificar cada uma destas condições&lt;br /&gt;mentais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) o Bhagavatam também declara no 3.20.31 que, ao ver o corpo&lt;br /&gt;abandonado por Brahma na forma de um bela mulher, “todos os demônios&lt;br /&gt;ficaram completamente encantados.”&lt;br /&gt;Em conclusão, não há dúvida de que todos os malignos demônios criados por&lt;br /&gt;Brahma sentiam extrema luxúria por mulheres. Surge uma questão sobre se eles&lt;br /&gt;aproximaram-se de Brahma de um modo diretamente homossexual, ou se eles estavam&lt;br /&gt;atraídos pelo aspecto feminino do corpo cósmico de Brahma, uma vez que Brahma&lt;br /&gt;abandonou para eles um corpo na forma de uma bela mulher. Levando em consideração&lt;br /&gt;que o próprio Bhagavatam declara no 3.20.53 que Brahma deu-lhes uma “parte”,&lt;br /&gt;amsha, de seu corpo, e que Sridhara Swami declara que esta parte era, na verdade, um&lt;br /&gt;aspecto da disposição mental de Brahma, especificamente a disposição de luxúria. Deste&lt;br /&gt;modo, de acordo com o Bhagavatam e Sridhara Swami, os demônios lançaram-se&lt;br /&gt;luxuriosamente em direção a Brahma, que parecia ter-lhes dado o que queriam: uma&lt;br /&gt;bela mulher. Portanto, está claro que os demônios tinham um forte apetite&lt;br /&gt;heterossexual, bem como uma atração ambígua pelo aspecto feminino luxurioso do&lt;br /&gt;Senhor Brahma.&lt;br /&gt;Portanto, essa história não fornece uma consideração clara e não-ambígua sobre&lt;br /&gt;a homossexualidade, nem nenhuma regra para lidar com isto.&lt;br /&gt;Encontramos um tipo de irregularidade de gênero na vida do Rei Sudyumna, a&lt;br /&gt;qual é narrada no Bhagavatam, nono canto. Aqui está a história básica:&lt;br /&gt;Ao entrar na floresta do Senhor Siva, o Rei Sudyumna é imediatamente&lt;br /&gt;transformado em uma mulher, que então se casa com um homem e gera uma criança&lt;br /&gt;com ele. O guru de Sudyumna, Vasistha Muni, roga então ao Senhor Siva para&lt;br /&gt;transformar Sudyumna novamente em um homem. Siva concede que o rei se torne um&lt;br /&gt;homem e governe seu reino mês sim mês não, mas que, mês sim mês não, ele&lt;br /&gt;permanecerá uma mulher casada.&lt;br /&gt;É significante que os cidadãos de Sudyumna não aprovaram ou receberam bem&lt;br /&gt;este arranjo. O Bhagavatam declara: nabhyanandan sma tam prajah.&lt;br /&gt;O verbo sânscrito abhi-nand significa “dar boas vindas, aprovar, aplaudir,&lt;br /&gt;reconhecer etc.”. Portanto, os cidadãos não receberam bem, aprovaram, reconheceram,&lt;br /&gt;aplaudiram etc. seu rei que, mês sim mês não, tornava-se uma mulher.&lt;br /&gt;Além disto, parece que o próprio Rei Sudyumna estava envergonhado por causa&lt;br /&gt;de sua mudança mensal de gênero. Tanto Sridhara Swami quanto Vira Raghavacarya&lt;br /&gt;comentam que todo mês o rei escondia sua situação (da mudança de seu gênero) por&lt;br /&gt;vergonha. Visvanatha Cakravarti Thakura concorda que o rei escondia sua situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente o rei não era homossexual no sentido moderno. Mas esta história&lt;br /&gt;demonstra um importante fato sobre a psicologia humana: as pessoas em geral não&lt;br /&gt;recebem bem ou aplaudem a irregularidade de gênero. Embora esta história, como a&lt;br /&gt;anterior, não apresente uma descrição explícita e não-ambígua da homossexualidade,&lt;br /&gt;nem ofereça qualquer regra ou conduta em relação a isto, lembre que Prabhupada&lt;br /&gt;declara em seu significado ao Bhagavatam 3.20.26:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aqui subentende-se que o apetite homossexual de um macho por outro surgiu&lt;br /&gt;neste episódio da criação dos demônios por Brahma.”&lt;br /&gt;Muito embora seja dito que a homossexualidade tenha existido desde o início da&lt;br /&gt;criação, o Bhagavatam não a descreve explicitamente nem a condena. Portanto, de&lt;br /&gt;acordo com a própria declaração de Krishna [MB 8.49.49], uma vez que não&lt;br /&gt;encontramos um estabelecimento de regras específicas, explícitas e não-ambíguas para a&lt;br /&gt;conduta em relação à homossexualidade, devemos nos empenhar em um raciocínio&lt;br /&gt;espiritual sobre isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RACIOCÍNIO MORAL ACERCA DA HOMOSSEXUALIDADE&lt;br /&gt;É um princípio básico da consciência de Krsna que este mundo material é um&lt;br /&gt;reflexo pervertido do mundo espiritual eterno. Nossos corpos materiais são sombras ou&lt;br /&gt;reflexos de nossos corpos eternos e espirituais. E Krishna, Ele próprio, é a Pessoa&lt;br /&gt;Suprema com um corpo supremo eterno. Textos sagrados como o Srimad-Bhagavatam e&lt;br /&gt;o Bhagavad-Gita revelam em detalhes a natureza, comportamento e atividades do&lt;br /&gt;Supremo Senhor Krishna, e, deste modo, nós possuímos um padrão objetivo absoluto&lt;br /&gt;diante do qual podemos medir nosso próprio comportamento. Isto é especialmente&lt;br /&gt;verdadeiro porque não temos apenas informação das atividades de Krishna no mundo&lt;br /&gt;espiritual, mas também sabemos de Suas atividades neste mundo material, onde Ele&lt;br /&gt;desce como um avatara para demonstrar dharma, comportamento apropriado, por meio&lt;br /&gt;de Sua própria vida na terra e através das vidas de Seus devotos puros que O auxiliam.&lt;br /&gt;Desse modo, podemos dizer que o padrão absoluto, objetivo e eterno para&lt;br /&gt;relacionamentos conjugais é que tal relacionamento deveria desenvolver-se entre um&lt;br /&gt;homem e uma mulher que possuam, respectivamente, qualidades masculinas e&lt;br /&gt;femininas tanto no corpo quanto na mente. Além disto, tal relacionamento conjugal&lt;br /&gt;deve ser dedicado ao transcendental serviço devocional e deve em última análise visar&lt;br /&gt;ao amor espiritual puro, livre de luxúria material.&lt;br /&gt;Neste mundo, encontramos algum nível de impureza em quase todo&lt;br /&gt;relacionamento conjugal. Entretanto, a união apropriada entre homem e mulher, em&lt;br /&gt;corpo e mente, mesmo neste mundo imperfeito é, em um sentido, um reflexo mais&lt;br /&gt;próximo do padrão eterno do que aquele que encontramos em sexualidades irregulares&lt;br /&gt;que não refletem padrões absolutos.&lt;br /&gt;O Senhor Krishna declara no Bhagavad-Gita 7.11, que Ele está presente na&lt;br /&gt;sexualidade que não se opõe ao dharma. Srila Prabhupada ensina que o sexo é, em&lt;br /&gt;última análise, destinado à procriação devotada ao serviço a Deus. Mesmo se a maioria&lt;br /&gt;dos devotos grhastas lutam com este padrão e, na prática, restringem-se à versão mais&lt;br /&gt;fácil da regra – não praticar sexo fora do casamento – o padrão mais elevado ainda é o&lt;br /&gt;ideal ao qual todos os devotos sérios deveriam aspirar. O fato de muitos ou mesmo a&lt;br /&gt;maioria dos grhasthas acharem difícil agir sempre na plataforma ideal não invalida de&lt;br /&gt;modo algum, nem mesmo diminui, o valor do ideal.&lt;br /&gt;Um exemplo mundano serve para ilustrar este ponto: porque a sociedade&lt;br /&gt;americana, mesmo em face da disseminada hipocrisia, preservou o ideal de igualdade&lt;br /&gt;social e legal, o movimento dos Direitos Civis Americanos (American Civil Rights movement) foi capaz de apelar a este ideal na busca por justiça racial. Similarmente, é&lt;br /&gt;essencial para o progresso de seus membros que a ISKCON preserve o ideal espiritual&lt;br /&gt;de sexo para procriação entre um homem e uma mulher adequados, que estejam unidos&lt;br /&gt;pelos votos sagrados do matrimônio.&lt;br /&gt;Mas como a ISKCON deveria lidar com a homossexualidade? Consideremos o&lt;br /&gt;assunto à luz da filosofia moral vaishnava, enfocando as diversas tensões morais que&lt;br /&gt;devem ser equilibradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;A justiça dita que as almas rendam-se a Deus, abandonando todos os pecados. A&lt;br /&gt;misericórdia dita paciência e compreensão. Em última análise, devemos fazer o que é&lt;br /&gt;melhor para o devoto individual e para a sociedade de devotos. Embora que, até certo&lt;br /&gt;ponto, haja tensão entre os desejos e necessidades da sociedade e aqueles do indivíduo,&lt;br /&gt;devemos, em última análise, descobrir um modo de encorajar e inspirar os devotos&lt;br /&gt;individuais com dificuldades especiais e, ao mesmo tempo, manter a santidade do&lt;br /&gt;padrão dos princípios morais e espirituais. A ISKCON deve equilibrar justiça e&lt;br /&gt;misericórdia, o ideal e o real. A ISKCON deve defender a importância dos atos morais,&lt;br /&gt;mas a ISKCON deve também fazer aquilo que produzirá conseqüências benéficas.&lt;br /&gt;Prabhupada enfatiza que a consciência de Krsna é um processo gradual. Ele&lt;br /&gt;ensinou isto, literalmente, centenas de vezes. Aqui estão duas provas tiradas de centenas&lt;br /&gt;de declarações que ele fez sobre este assunto:&lt;br /&gt;“Todos devem purificar o coração por um processo gradual, não abruptamente”&lt;br /&gt;[Bg 3.35, Significado].&lt;br /&gt;“Portanto, cabe ao governo encarregar-se de treinar todos os cidadãos de&lt;br /&gt;maneira tal que, através de um processo gradual, elevem-se à plataforma espiritual e&lt;br /&gt;compreendam o eu e que relação tem com Deus” [Bhag 6.2.3 Significado].&lt;br /&gt;Levemos em consideração o que a palavra “gradual”* realmente significa. Aqui&lt;br /&gt;estão algumas definições de dicionários padrão:&lt;br /&gt;Gradual: “prosseguimento ou desenvolvimento lento por passos ou níveis;&lt;br /&gt;prosseguimento em pequenos estágios; movimento, mudança ou desenvolvimento&lt;br /&gt;através de níveis delicados ou muitas vezes imperceptíveis; mudança lenta”.&lt;br /&gt;Algumas pessoas acham que encorajar a monogamia gay é encorajar a&lt;br /&gt;homossexualidade. Para testar este argumento, apliquemo-lo a uma outra atividade&lt;br /&gt;pecaminosa: abuso de drogas.&lt;br /&gt;De fato, há muitos vaishnavas sinceros ao redor do mundo que lutam&lt;br /&gt;contra alguma forma de abuso de substância. Se a ISKCON seguir o exemplo de outras&lt;br /&gt;religiões e oferecer programas para ajudar membros fiéis a superar tais problemas, e se&lt;br /&gt;os devotos recuperados são elogiados e encorajados quando reduzem seu uso de drogas, isto significa que a ISKCON está encorajando, admitindo ou justificando o uso de&lt;br /&gt;drogas? Obviamente que não.&lt;br /&gt;Similarmente, encorajar devotos que estão lutando para regular, reduzir e&lt;br /&gt;eliminar a sexualidade pecaminosa de qualquer espécie não é elogiar ou encorajar&lt;br /&gt;atividades pecaminosas. A verdade é o oposto: nós estamos elogiando e encorajando a&lt;br /&gt;redução e a eliminação gradual de tais atividades.&lt;br /&gt;No caso de um casal de devotos grhasthas, o sexo dentro do casamento, mas não&lt;br /&gt;destinado à procriação, é claramente pecaminoso, pelo menos num senso estrito.&lt;br /&gt;Embora algumas vezes os devotos declarem que “não praticar sexo ilícito” significa&lt;br /&gt;“não praticar sexo fora do casamento”, na verdade este é o padrão que muitos&lt;br /&gt;respeitados grhasthas são capazes de seguir. Por que então nós admitimos um ato sexual&lt;br /&gt;o qual é, no senso mais estrito, pecaminoso? Certamente porque este é o menor de dois&lt;br /&gt;males, o maior mal sendo o sexo fora do casamento.&lt;br /&gt;Surge então a questão: a diretriz de escolher dos males o menor é valida somente&lt;br /&gt;para heterossexuais, ou esta é também uma estratégia necessária para homossexuais?&lt;br /&gt;Leve em consideração que Prabhupada enfatiza que a consciência de Krsna é um&lt;br /&gt;processo gradual, é um processo que prossegue lentamente, passo a passo. A noção de&lt;br /&gt;um processo gradual logicamente acarreta a noção ulterior de que os passos graduais na&lt;br /&gt;direção certa são apenas isto: passos na direção certa. E, uma sociedade espiritual deve&lt;br /&gt;encorajar todos seus membros a darem passos na direção certa.&lt;br /&gt;Finalmente, devemos levar em consideração o princípio moral último,&lt;br /&gt;encontrado no Padma Purana e citado no Sri Caitanya Caritamrta 2.22.113:&lt;br /&gt;“Vishnu deve ser sempre lembrado e jamais esquecido. Todas as injunções e&lt;br /&gt;proibições só podem ser servas dessas duas”.&lt;br /&gt;Srila Prabhupada escreve em seu significado a este verso: “Existem muitos&lt;br /&gt;princípios regulativos nos shastras e muitas orientações dadas pelo mestre espiritual.&lt;br /&gt;Esses princípios reguladores devem agir como servos do princípio básico – isto é,&lt;br /&gt;devemos sempre lembrar-nos de Krishna e jamais esquecê-Lo”.&lt;br /&gt;Similarmente, o próprio Senhor Krishna declara no final do Gita, 18.66:&lt;br /&gt;“Abandone todos os princípios morais/religiosos e venha a Mim exclusivamente&lt;br /&gt;por abrigo. Eu te protegerei de todas as reações pecaminosas. Não temas!”.&lt;br /&gt;Portanto, considerando a filosofia moral vaishnava, como ensinada pelo próprio&lt;br /&gt;Krishna e por Seus devotos puros, a ISKCON deve encorajar os devotos sinceros que,&lt;br /&gt;às vezes, de boa fé e dentro de limites racionais, escolhem dos males o menor a fim de&lt;br /&gt;se estabilizarem no caminho espiritual. Este princípio aplica-se a sexualidade humana&lt;br /&gt;mutuamente consentida entre adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de Tradução:&lt;br /&gt;Acaryadeva traduziu alguns versos das escrituras, presentes neste artigo, de&lt;br /&gt;forma um pouco diferenciada do original em inglês de Srila Prabhupada. Neste caso,&lt;br /&gt;traduzi a versão de Acaryadeva como consta em seu artigo original em inglês. Os versos&lt;br /&gt;e comentários citados, que estão iguais ao original inglês de Srila Prabhupada,&lt;br /&gt;transcrevi a tradução feita pela BBT Brasil, mantendo os resumos, pequenas alterações e&lt;br /&gt;cortes feitos por Acaryadeva em seu artigo original em inglês.&lt;br /&gt;* a palavra inglesa “gradual”.&lt;br /&gt;Tradução: David Britto radhesyamaji@yahoo.com.br&lt;br /&gt;Revisão: Harinama dasa Bhs rbritto2002@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19592234-113378780438030182?l=teologia-e-moral-vaishnava.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologia-e-moral-vaishnava.blogspot.com/feeds/113378780438030182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19592234&amp;postID=113378780438030182' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19592234/posts/default/113378780438030182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19592234/posts/default/113378780438030182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologia-e-moral-vaishnava.blogspot.com/2005/12/httplivrogratis.html' title=''/><author><name>Nayana Das [HDG]</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_ImHScGZ3-uU/SK7pMvu-iII/AAAAAAAAAAQ/VjYpttUPt1s/S220/Panca+58.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
